Outono, me senti tão hipócrita no final de nossa conversa hoje, sabia? Muito hipócrita. Outono, minha carta parece tão boba e ingênua. Não posso lidar com isso. Não posso lidar com você sendo de outra pessoa. Não posso, não posso e não posso. O que eu faço, hm? Diz pra mim. Você me disse tantas coisas, chorou comigo mas e no final…? Você não vai ser meu. É difícil, Outono, aceitar isso. É difícil demais.
Bom dia, Outono. Como você está? Bem, aposto. Aposto que passou a noite toda conversando. Não digo com quem. Ah, estou conjecturando novamente porque parece bem verdade. Como eu dormi? Mal. Péssima. Nem a lua me animou. E olha que ela estava linda. Você viu? 14% maior e 30% mais brilhante. Parece bom, não? Lindo. Pena que meu estado de espírito não condizia com a luz. Nunca me senti tão pequena e menos brilhante. Teu amor tá fazendo uma falta, Outono. Você arrancou ele tão fácil, não foi? Tenho que parar de perguntar. Você nunca vai responder mesmo. Tenho que parar de conjecturar. Lembro bem que você escreveu uma história. Eu sempre pensei que fosse a personagem principal dela. Não sou. Eu sou aquela…a esmirradinha que fica com o protagonista enquanto o amor da vida dele está longe. Eu fui uma peça nisso tudo. Um meio…para que você chegasse ao seu fim. Dói ser isso. Dói muito porque no final…quem ganha a solidão sou eu. Apenas eu. Quem sofre sou eu. Apenas.Eu. Mas talvez eu devesse estar acostumada já que…tem sido apenas eu há muito tempo. Eu só não tinha coragem de admitir.
Boa noite, outono. Acabei de falar com você ao telefone. Muito bom realmente ouvir certas verdades. Você se vangloria de suas verdades, outono. Mas será que elas são tão verdades assim? Não sei. Minha carta. Minha digníssima última carta parece boba e hipócrita se lida agora. Depois de falar com você, tenho vontade de jogar ela pela janela e me atirar junto dela. Será que aprendo a voar? Aposto que não. Poxa, outono, você me deixou em frangalhos. De novo. Sua frase parece ecoar na minha cabeça. “Meu amor por ti foi arrancando de mim. Eu arranquei ele de mim. Eu não queria mais sofrer..” Me diz, outono, quantas vezes eu te fiz sofrer? Quantas vezes eu destruí você e te fiz sentir mal? Quantas. Me diga agora. Muito fácil para você dizer que não quer mais sofrer. Quem disse que eu quero? Como ousa…? E digo mais: Você deixou seu amor por mim fugir e cultiva, guarda seu amor por ela…? OUTONO! O que pensa que está fazendo? Quem pensa que sou? Não sou uma de suas conquistas. Não, não sou e não sou! Pelo menos nessa eu acerto: Não vou ser mais uma. Não vou.
“Começo dizendo que te amo. Te, te amo, e te amo. Mas talvez você não escute ou leia isso por muito tempo. Pelo menos, não vindo de mim. Amar e não ser amado em troca é uma das coisas mais terríveis para um coração. Talvez você não se importe. Há tantos amores por você nesse mundo. Tantos. O meu era só mais um. Mais um amor. Mais uma. Sempre temi entrar nessa lista. Sempre. Das pessoas que entraram na sua vida. Que amaram você. Entrei na lista afinal. Sei exatamente como elas se sentem. Algumas foram amadas também, mas outras nem isso foram. Carregaram aquele gostar unilateralmente. Sozinhas. Terrível ficar sozinha, né? Se sentir sozinha. Pior ainda quando você faz tudo por alguém. Aprende a lidar com tanta coisa. Com tanta gente. Eu aprendi e no final, não valeu de nada. Ou talvez tenha valido. Mas isso eu ainda não descobri. (…)Eu tenho medos. Mas não tenho mais medo de ficar sozinha. Tenho medo de solidão. Mas estou aprendendo. Ficar sozinha não quer dizer que você seja solitária. Porque se você olhar ao redor há tanta gente que faria tudo por você.(…)Voltando a primeira sentença. Então…Não digo, não digo e não digo! E nem ouse pensar que deixei de te amar. (Olha, falei que te amo de novo. Tenho que me policiar.) O sentimento que eu tenho por ti continua aqui e intacto. Mas vou guarda-lo. Fechar em uma caixinha e guardar lá dentro. Não mais cultivá-lo. Não mais deixa-lo crescer. Nem a dor. Ela está aqui. E é aqui que ela vai permanecer. Mas não vou deixa-la incomodar. Não vou deixar que ela tome conta de mim. Não vou te chamar mais de meu amor, ou de minha gata. Minha, meu, minha. Não mais. Guardo o sentimento lá dentro, quietinho. Você foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. E daqui a 20 anos, quando meus filhos perguntarem quem foi meu primeiro amor(Deixo você com Antonio mas Angelina é minha.) eu vou dizer pra eles que foi você. E vou contar toda a história. Todos os planos. Planos de um jardim de girassóis e limoeiros. Planos de uma casinha na floresta e de um quarto de livros. Tudo. E vai caber a eles descobrir se essa história teve ou não um final feliz. Vai ver ainda não teve final. Enquanto você vai vivendo intensamente, em um compromisso ou fora dele, eu vou vivendo. Acho que nada é mais intenso que isso. Acordar todos os dias e colocar um sorriso no rosto mesmo que seu coração esteja em frangalhos. Levantar, tomar um banho de água gelada, comer um café da manhã reforçado e ir pra vida. Andar pela rua de cabeça erguida e não sucumbir à nenhum sentimento negativo. Como você disse.. “ A vida é muito curta e não se sabe o que vai acontecer amanhã. “ Por isso não me deixo abater porque não quero que o último dia da minha vida, quando ele vier, seja triste. Quero rir, quero brincar, estudar, ouvir música. Ficar vesga de tanto ler livros. Sair, ir ao cinema, ver filmes em casa, caminhar na praia, arranjar um emprego, ir pra faculdade. Comprar um buldogue francês e chamar de Juno. Quero cair quantas vezes tiver que ser se isso for me ajudar a crescer. Levantarei mais forte. Quero chorar de rir. Quero viver. Isso é verdadeiramente intenso pra mim. Deixar o sol sair mesmo que nuvens negras de tempestades estejam chegando. Aprendi que a tristeza é, muitas vezes, fundamental. Com ela, você descobre os momentos em que você é mais feliz. Mas não se pode viver de tristeza. Por isso não cultivo. Nem teu amor e nem a tristeza. Você me fez feliz como ninguém. Você me magoou como ninguém. Entende que contraditório? Quem mais te ama, tem o maior poder de te derrubar. Porque ela te tem na mão. Senti isso. Sinto isso. É terrível. É atordoador. Mesmo agora, ainda sinto que te amo. (Droga.) Ainda sei que ele está lá. (…) Obrigado por me fazer crescer. Por me fazer aprender. Obrigado por ter me amado pelo tempo que esse amor durou. Eu fiz uma promessa. Nunca mais derramar uma lágrima de tristeza que seja por você. Nunca mais. E não pense que eu não vou ter vontade de fazer isso. Vou ter ciúmes, vou ter raiva, vou espernear. Vou me tornar sarcástica. Mas não vou chorar. Não vou deixar transbordar. Vou engolir o choro e virar as costas. Pegar um livro ou escutar uma música feliz. Dançar pelo quarto, cantar alto até que esse sentimento passe. Até que ele me deixe. Talvez para começar tudo de novo em outro momento. Mesmo assim, eu vou aprendendo. Até que chegará um momento em que não sentirei mais nada. Nem ciúmes, nem raiva. (Espero ansiosamente esse dia. Se bem me conheço, “não sentir” ciúmes ainda demora. Paciência, eu tardo, mas não falho.(…) Outra promessa. Não correr mais atrás de ti. Não ser persistente ou chata. Se fizer sentido pra você voltar, volta. Se não ligar. Tudo bem. Se quiser ser indiferente, tudo bem. Mas uma coisa que eu vou ter que aprender. Mas eu aprendo. Pesquei uma frase do John Lennon que diz exatamente isso. “Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí.” E não entende-se possessão de ter, material. Entende-se que se cativei, volta. Se não cativei, se não marquei…não volta. Fácil assim. Se for de teu agrado voltar, eu ficaria muito feliz. Você compartilhou comigo a sua história e me ajudou a construir a minha. E ainda ajuda. Eu ainda tenho muito o que construir. E você faz parte dela. Ah. Bem, enfim, você entendeu, certo, Kero-chan? Kero-chan. É assim que vou te chamar agora. Só assim. Kero-chan, Kero-chan, Kero-chan. Ainda parece estranho. Muito estranho. Remete-me à tempos passados. Muito passados. No começo de tudo. Ah, fiquei nostálgica. Espera. Pronto, passou. Engoli o bolo que estava na minha garganta. Desceu fácil até. Acho que estou mesmo crescendo, afinal. Finalmente, não é? Aprendendo a lidar com isso tudo não é pra qualquer um, não. Nunca me senti tão forte. E pode parecer bobinho até. Mas é um bom pensamento. Descobrir que não sou porcelana. Que eu posso ser forte quando preciso. Que eu nunca me deixaria na mão. Que o que era nós não vai me fragilizar mais. Não tanto. E com o tempo, não mais. Você deve estar orgulhosa de mim, mas se não estiver, eu estou. E me sinto diferente. Pequenina mas enorme. Aposto que estou maior que você. (risos) Acho que não vou me estender mais nesse assunto. Acho que tudo o que eu queria dizer foi dito. Eu não dormi. Passei a noite toda escrevendo e tentando encontrar desaforos, sabe? Tentando arranjar um jeito de te magoar. Aí eu descobri que eu não quero isso. Nunca quis. Machucar você, digo. Não conscientemente. Descobri que eu não tenho ódio de você. Por mais que você tentasse, eu nunca consegui sentir isso. Mas eu acho que isso vem mais de mim. Eu não posso sentir ódio. Ódio é desnecessário. Raiva talvez. Uma certa vontade louca de socar a parede e gritar. Mas ódio…não. E eu nunca sentiria algo assim por você. Você seria uma das últimas pessoas por quem eu poderia sentir isso. E me dá uma puta raiva isso. (Paradoxo…?) O que me dá raiva? Não poder sentir ódio de você. Seria mais simples, não acha? Apenas sentir ódio. “ Eu te odeio e fim. “ O complicado é amar. Gostar e ter carinho. É querer cuidar. Isso é complicado. E isso…eu tenho de sobra. Mesmo que seja complicado. Eu tenho. Tenho carinho e tenho amor. Porque eu acho que ninguém pode viver sem essas duas coisinhas. Carinho e Amor. Palavras pequenas…e enormes. Como eu, olha só. Exatamente como eu…”
Então, é isso, espero que não se canse de ler. Espero que não enjoe. E se enjoar também, tudo bem. Eu me senti muito bem escrevendo isso. E é o que importa afinal.
Digo de novo. Só mais uma vez.
Amo você.
Pronto. Não falo mais.
Dor. Dor. Quando foi que eu senti algo assim? Não lembro. Acho que nunca. É, nunca. Meu amor por você está perdido. Sim, foi bem assim. Assim que você terminou com dois anos. Dois anos de alegria, dois anos de vida, dois anos…de nós. Eu jurei, jurei de pés juntos que nunca seria como as outras. Mas só agora eu sei como elas se sentem, só agora. Eu prometi que não ia chorar e é só isso que eu consigo fazer. Só isso. Eu me sinto péssima. Eu me sinto só. Eu me sinto rejeitada. A frase parece ressoar na minha cabeça. Com a tua voz. E faz tanto tempo que eu não a escuto. Mesmo assim, parece tão nítida. Ecoando dentro da minha cabeça. Machucando-me, confundindo-me. O que eu faço? O que…?
Beijos daquela que te ama. E te odeia.